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Macroalocação para EFPCs: estratégia estrutural e gestão tática no novo cenário

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Equipe APEP
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Em vez de montar carteiras por "caixinhas" de classes de ativos, olhar o portfólio pelo fator de risco. Essa foi a provocação central do painel "Macroalocação para EFPCs: estratégia estrutural e gestão tática no novo cenário", que encerrou o segundo dia do Webinar Horizontes APEP - Política de Investimento 2027, na manhã de 8 de outubro. Conduzido pelo representante de Investment Solutions da Tivio Capital, Gabriel Marquezino, com moderação de Welyton de Souza Pinto, diretor administrativo e financeiro da EnergisaPrev, o debate apresentou o modelo de Total Portfolio Approach (TPA) como alternativa à alocação estratégica tradicional.

O cenário de 2026 e o desafio do alfa

Gabriel Marquezino abriu o painel com o panorama do ano: o choque geopolítico — a guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel levou o petróleo de US$ 61 para US$ 118 o barril —, a revisão para cima da inflação no Brasil e nos Estados Unidos, a troca no comando do Fed e a redução do diferencial de juros entre os dois países. Na performance das classes, destacou a dificuldade de geração de alfa dos gestores ativos frente ao Ibovespa, que subiu 15,65% até setembro, puxado por commodities, com a Petrobras em alta de quase 100% no ano, enquanto as small caps caíram 1,61%.

Total Portfolio Approach: do nome da classe ao fator de risco

O núcleo do painel foi a comparação entre o Strategic Asset Allocation (SAA), modelo tradicional que divide o risco por classes, e o Total Portfolio Approach (TPA), que enxerga o fator de risco implícito em cada estratégia. Marquezino explicou que, por meio de regressões, é possível identificar quanto do retorno de um ativo é explicado por fatores comuns, como bolsa e juros, e quanto é alfa de fato. Citou o exemplo clássico: o high yield global tem Sharpe de 0,30, mas adiciona apenas 0,06 à carteira final, enquanto commodities, com Sharpe menor, agregam mais valor por terem beta negativo com juros.

A evidência apresentada foi contundente: fundos de pensão que adotam o TPA geram de 50 a 180 pontos-base de retorno adicional em relação aos que usam o modelo tradicional, ainda que apenas 8% já o utilizem, 54% caminham nessa direção. "Muitas vezes acho que estou diversificado por classe de ativo, mas estou no mesmo fator de risco", resumiu.

Quatro camadas e resultados na prática

Na implementação tropicalizada, a Tivio divide as carteiras em quatro camadas: Beta Estrutural, Relative Value, Alpha e Convexidade. Na prática, a mudança reduziu a parcela de crédito high grade no perfil conservador de 35% para 20%, elevou a arbitragem e permitiu adicionar risco de bolsa, que tem fator implícito em pré e inflação, sem descaracterizar o mandato. O resultado, segundo o especialista, foi a redução de drawdown nos três perfis, com retorno melhor e volatilidade similar, e menos eventos de cauda.

Marquezino reforçou que a maior dificuldade não é técnica, mas de governança: "quebrar o preconceito de olhar por caixinhas". Por isso, o trabalho educacional com conselhos e clientes é essencial. A gestora também sistematizou as decisões em um dashboard com métricas como o carry real versus dólar, o spread do IDADI — comprimido, sugerindo reduzir crédito — e o prêmio de risco da bolsa, que favorece a renda fixa no momento.

Estudo eleitoral e gestão fatorial de ações

O painel trouxe ainda um estudo dos seis ciclos eleitorais desde 2002: a renda fixa teve retorno positivo em 100% das janelas após o segundo turno, enquanto a bolsa se mostrou binária, com correção em 85% das janelas. Na prática, a Tivio aumentou a parcela de renda fixa ativa e reduziu caixa, além de fazer hedge dinâmico na exposição offshore.

Na gestão de ações, Marquezino apresentou a divisão entre alfa, beta e fatores, com a carteira final equilibrada por ETFs de baixa volatilidade, valor, qualidade e momentum, reduzindo o tracking error e o drawdown. "Casar a gestão ativa com a passiva é muito inteligente", afirmou, lembrando que até na gestão passiva há espaço para retorno, como no aluguel de BOVA11 e BOVV11.

No encerramento, o especialista respondeu que o modelo pode ser implementado na carteira própria das fundações: com 60% da carteira em NTN-B, o importante é olhar o portfólio final e buscar classes com fator de risco menor em juros reais, como estratégias neutras e de arbitragem, casando a gestão própria com veículos exclusivos quando necessário.

Em síntese, o painel final do Webinar deixou a mensagem de que olhar a carteira pelo fator de risco, e não pelo nome da classe, traz mais liberdade, previsibilidade e menor drawdown, com a gestão ativa e passiva combinadas em benefício do participante. Com o painel 5, o webinar encerrou sua programação, consolidando-se como espaço de qualificação das decisões de investimento do setor de previdência complementar.

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