
Com projeção de crescimento de lucros de cerca de 20% para as ações globais nos próximos 12 meses, o maior patamar dos últimos cinco anos, a Franklin Templeton mantém posição overweight em renda variável nos portfólios multiativos. Essa foi a mensagem central do painel "Investimentos no Exterior: hedge, diversificação e proteção de portfólio", quarto painel do segundo dia do Horizontes APEP, conduzido pelo portfolio manager da Franklin Templeton, Daniel Popovich, com moderação de Marcelo Gianotto, diretor executivo da Voith Prev.
Daniel Popovich abriu o painel apresentando o posicionamento do comitê de investimentos da gestora: overweight nível 2 em renda variável, com preferência por Estados Unidos, Japão e mercados emergentes, regiões diretamente envolvidas no tema de inteligência artificial. O fundamento está no crescimento dos lucros corporativos: cerca de 20% para as ações globais, que permanece atrativo mesmo sem as empresas de semicondutores, caindo para aproximadamente 15%, e de 12,3% para os demais mercados desenvolvidos, como Europa e Japão.
No cenário macro, o especialista destacou a resiliência das principais economias, com destaque para o consumo e o mercado de trabalho robustos nos Estados Unidos. Na inflação, apontou a pausa do ciclo de desinflação e o avanço dos custos nas cadeias de suprimento como pontos de atenção, com os bancos centrais, especialmente o Fed, voltando a subir juros, com o mercado precificando cerca de três altas nos próximos 12 meses.
Um dos pontos mais debatidos foi o portfólio 60-40. Popovich explicou que a correlação entre duration e renda variável tornou-se positiva, reduzindo o efeito de diversificação da renda fixa, que passa a atuar apenas como diluidor de volatilidade. "Não vamos pregar que o 60-40 morreu", disse, mas a gestora tem buscado diversificação além da renda fixa, com destaque para os alternativos líquidos (hedge funds internacionais), que entregaram retornos menos correlacionados e positivos mesmo em setembro, mês de forte abertura de curvas.
Sobre o hedge, o executivo reforçou que "depende" do objetivo da entidade: para fundos com alocação estrutural em NTN-B, o investimento internacional com exposição cambial é o melhor diversificador, dada a correlação negativa do dólar com os ativos de risco locais; para horizontes mais curtos, o hedge atenua a volatilidade e captura o carrego do diferencial de juros. Como o cenário mais frequente é o de dólar em alta, a exposição cambial tende a compensar o portfólio em momentos de estresse.
Popovich também abordou o "elefante na sala": a inteligência artificial. Para ele, ainda não é uma bolha — o investimento massivo em infraestrutura, data centers e semicondutores é financiado pelas próprias grandes empresas de tecnologia, que usam o fluxo de caixa e, em alguns casos, se endividam. O ponto de atenção é o tempo para que esses investimentos se convertam em lucro e o efeito da abertura de juros sobre as taxas de desconto. A gestora prefere os Estados Unidos de forma ampla, e não necessariamente o setor de tecnologia, além do Japão e dos países asiáticos, como Taiwan e Coreia do Sul, grandes receptores desse ciclo de investimento.
No encerramento, o especialista defendeu o meio do caminho: as estratégias core ativa, que combinam gestão de risco e construção de portfólio com desvios comedidos, gerando um alfa pequeno, mas consistente ao longo do tempo, em contraste com a migração em massa para os ETFs.
Em síntese, o painel reforçou o papel do investimento internacional como diversificador estrutural, com a renda variável global no centro da estratégia, o hedge calibrado ao objetivo de cada entidade e a atenção aos riscos de juros, déficits fiscais e à evolução do ciclo de investimento em IA. Na sequência, o Horizontes APEP seguiu a programação do dia, com o painel sobre macroalocação.