
O webinar Horizontes APEP, dedicado à Política de Investimentos 2027, seguiu na manhã de 7 de outubro com o painel 2, "Economia – Vetores Externos: Fed, Dólar Global, Commodities e seus efeitos no Brasil", conduzido pela economista-chefe da BNP Paribas Asset Management, Andressa Castro, com moderação de André Natali, diretor da APEP e diretor executivo da Fundação Promon.
Na abertura, André Natali destacou que o evento se consolidou como tradicional no mercado de fundos de pensão e lembrou que, embora o tema eleitoral tenha dominado o noticiário recente, são os vetores internacionais que, no fim do dia, fazem preço nos mercados.
Andressa Castro abriu com avaliação positiva: o cenário externo está "relativamente benigno" para o Brasil. Entre os pontos centrais, destacou a alta das taxas de juros longas, o título de 10 anos dos Estados Unidos passou de 4% para acima de 5% desde o início do ano, que tende a limitar cortes mais agressivos de juros nos emergentes, embora o Brasil ainda tenha espaço para seguir com o ciclo. A economista também citou o impacto da inteligência artificial, que impulsiona a Bolsa americana e o consumo das famílias de maior renda, mas pressiona a taxa neutra global; as guerras em curso, entre Irã e Estados Unidos, com o Brent rondando US$ 100 o barril, e entre Rússia e Ucrânia, como fontes de pressão inflacionária; e a mudança de papel da China, que deixou de ser exportadora de deflação para se tornar exportadora de inflação.
Sobre as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, Andressa apontou que o mercado passou a apostar na vitória dos democratas na Câmara e no Senado, cenário "market friendly": impede novos impulsos fiscais, mas também adia qualquer ajuste das contas públicas. A popularidade de Trump, em 38%, foi citada como fator que inverteu as apostas.
No câmbio, a economista explicou que o dólar está forte contra algumas moedas e fraco contra outras. Na América Latina, Brasil e Colômbia aparecem como destaques, beneficiados por juros elevados, pela condição de exportadores de petróleo e pela perspectiva de ajuste fiscal. Para o real, traçou dois cenários: dólar fraco combinado com ajuste fiscal crível levaria a um período de valorização, como em 2016-2017; dólar forte com ajuste fraco ou ausente levaria a um cenário adverso, como em 2024. Andressa ressaltou, porém, que o mercado ainda aguarda a formação da equipe econômica e o anúncio de medidas críveis do lado dos gastos.
O painel também abriu espaço para perguntas do público, sobre o novo patamar de juros nos Estados Unidos e seus efeitos para o Brasil. O Horizontes APEP segue com novos painéis ao longo dos dois dias de evento.