
O webinar Horizontes APEP, dedicado à Política de Investimentos 2027, trouxe, na manhã de 7 de outubro, o painel 3, "Macro Brasil: reação dos mercados e cenários para atividade, inflação, juros e câmbio". Promovido pelo Squad de Investimentos da APEP e patrocinado pela APEP e pelo IPCOM, o painel reuniu o sócio e Global Head do Departamento Econômico e de Data Science da Vinci Compass, José Carlos Carvalho, e o moderador Guilherme Ferreira Façanha, gerente de investimentos da Braslight.
Logo após o primeiro turno das eleições, o painel debateu a reação dos mercados brasileiros. Para José Carlos Carvalho, não há excesso de otimismo: o que mudou foi a percepção de probabilidade em relação ao fiscal. Ele explicou que, nos últimos anos, a política monetária precisou de um aperto sem precedentes (juro real de até 11%) por causa da falta de coordenação entre as políticas monetária e fiscal: enquanto o Banco Central freava, o Tesouro acelerava os gastos, com a despesa do governo subindo dois pontos do PIB em um ano.
O especialista destacou o potencial de arrecadação vindo do pré-sal, cerca de 1,5% do PIB por ano a partir da venda de petróleo, royalties e imposto de renda sobre a produção, como caminho viável para o ajuste fiscal, seja recomprando dívida, seja poupando o recurso. Para ele, com um superávit primário de cerca de 2% do PIB, o juro poderia caminhar na direção do juro neutro: no cenário do candidato da oposição, uma primeira pernada de queda levaria a taxa real a algo entre 8% e 9%; em um cenário de continuidade do governo atual, o juro pararia em patamar mais alto.
José Carlos projetou ainda um crescimento fraco no ano que vem, perto de 1%, reflexo do ajuste fiscal e da desaceleração na segunda metade deste ano, mas viu espaço para queda de juros mais agressiva, o que destravaria uma nova fase para a bolsa. Para o câmbio, o cenário é de estabilidade com pequena apreciação, favorecida pelo superávit comercial de mais de 4% do PIB e pelo protagonismo do petróleo, que deve gerar cerca de US$ 100 bilhões por ano em exportações até 2031. A apreciação do real, somada a um câmbio estável, ajudaria a combater a inflação e abriria mais espaço para o Banco Central cortar juros.
O painel também alertou para riscos externos: a alta de juros nos Estados Unidos, com o Fed subindo a taxa diante de inflação acima da meta, e o risco de bolha nos ativos americanos — quando o juro supera o earnings yield do S&P 500, o ambiente se torna perigoso, como na virada do século. Esse risco de cauda foi apontado como o principal temor do especialista para o Brasil. Sobre a meta de inflação, José Carlos foi direto: há zero chance de revisão, até porque a apreciação do câmbio tende a facilitar o cumprimento da meta de 3%.
Em síntese, o painel 3 ofereceu aos investidores institucionais um mapa do cenário para 2027: atividade fraca no curto prazo, inflação em convergência, juros com espaço relevante de queda e câmbio estável com leve apreciação, sempre condicionados ao desfecho do segundo turno e à qualidade do ajuste fiscal.