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5º Seminário dos Fundos de Pensão e Patrocinadores Privado | Painel I – Modelos Globais de Previdência Privada

28/5/2026

O cenário da previdência complementar no Brasil e no mundo passa por um momento de profunda transformação, impulsionado por mudanças demográficas, pressões econômicas e o avanço acelerado da tecnologia. Este foi o tom do Painel I – Modelos Globais de Previdência Privada, que abriu as discussões do 5º Seminário dos Fundos de Pensão e Patrocinadores Privados.

Sob a mediação de Herbert de Sousa Andrade, o painel contou com a participação de Eduardo Marchiori (CEO da Mercer Brasil), Raquel Lautert (Coordenadora-Geral de Projetos e Relações Internacionais da Previc) e Felinto Sernache (Retirement International Leader da WTW), que trouxeram perspectivas complementares sobre como o Brasil se posiciona frente aos desafios globais de sustentabilidade e inovação.

Eduardo Marchiori iniciou as discussões apresentando dados do Mercer Global Pension Index. Segundo o executivo, embora o Brasil ostente uma nota "B" em critérios de integridade e nível de renda, o país enfrenta riscos severos de sustentabilidade.

Marchiori destacou que os desafios da previdência não são apenas brasileiros; a longevidade e as mudanças demográficas são fenômenos universais. Enfatizou também a necessidade de modelos de adesão automática (opt-out) para ampliar a cobertura, especialmente diante de uma economia cada vez mais informal e do surgimento de novas categorias profissionais, como os influenciadores digitais, que carecem de proteção previdenciária estruturada.

Raquel Lautert, detalhou a agenda internacional da Previc, que busca alinhar a regulação brasileira aos padrões da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e da IOPS (Organização Internacional de Supervisores de Pensões).

Lautert reforçou que a transparência e a governança são pilares fundamentais para elevar a credibilidade do sistema brasileiro. Enfatizou que a Previc está trabalhando para que o fomento e a segurança jurídica caminhem lado a lado, garantindo que os fundos de pensão brasileiros operem sob os mais altos índices de integridade internacional

Um dos pontos altos do painel foi a análise de Felinto Sernache sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA) no setor. Sernache apresentou exemplos de como fundos de pensão europeus já utilizam a tecnologia para otimizar a comunicação com participantes e processar volumes massivos de dados para decisões de investimentos ESG (Ambiental, Social e Governança).

Contudo, o especialista alertou para a necessidade de uma "IA Supervisionada". Destacou que a transição da automação simples para agentes autônomos de IA exige supervisão humana rigorosa para mitigar riscos operacionais e jurídicos. Para Sernache, a tecnologia deve ser vista como uma ferramenta de eficiência que permite às entidades focar no que é essencial: a saúde financeira e o bem-estar do participante.  

O debate também abordou a conexão entre estabilidade financeira e saúde mental. Os palestrantes concordaram que o estresse financeiro é um dos principais causadores de burnout no ambiente corporativo. Nesse sentido, a previdência complementar foi defendida não apenas como um veículo de poupança, mas como um instrumento de educação e segurança psicológica para os trabalhadores e patrocinadores.

O Painel I encerrou-se com o consenso de que, para prosperar, o setor de previdência privada no Brasil deve abraçar a cultura de dados e a inovação tecnológica, sem perder de vista o rigor regulatório e a transparência. O alinhamento com modelos globais de sucesso, adaptados à realidade local, mostra-se o caminho para garantir a sustentabilidade do sistema e a proteção das futuras gerações de aposentados.

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